segunda-feira, janeiro 02, 2006

Objectivo

A sensação de viver sem um objectivo claro e definido, assusta muitas pessoas. Eu nunca consegui pensar assim, nunca consegui conceber algo que acreditasse de forma tão clara e convicta que se torna-se um objectivo de vida. Muitas das minhas decisões digo-o com alguma vergonha, foram tomadas com total desprimor a lógica e fundamento resultante de análise aprofundada. A verdade é que tenho pequenos objectivos para o meu dia a dia, que passam por fugir ao trânsito, encontrar forma de estar o menos tempo possivel em casa, correr como se não houvesse amanhã no final do dia e acima de tudo tentar desmaiar de cansaço acumulado sobre a minha cama de 2,10 x 2,20... bem no meio. A futilidade de tais objectivos faz-me pensar que tenho algo de muito errado na mente, algo que cobre 70% do meu cerebro cobrindo aqueles 10% que fazem alguma coisa e que resulta num cerebro com 30% de capacidade inutil.

Ainda não descobri o processo, a meu ver apenas mágico, que irá abrir as portas do meu cerebro a grandes objectivos de vida. No outro dia ouvi dizer a alguém com capacidades ainda mais diminutas que as minhas, que em tempos, uns padres franciscanos faziam pequenos furos na parte de trás da nuca atingindo estados de intelectualidade e de clareza mental inagualáveis. Essa entidade acefala que explanou tal teoria em praça publica nunca conseguiu explicar porque não caiam esses padres de perda massiva de sangue...

Ouvi falar em Deus, Alá, Yeshua, Budha, e todo um conjunto de santidades que tornam a nossa vida num objectivo por si só, como que se ao acordar nos sentissemos realizados e fosse sempre assim toda a vida. Imaginem só o quanto as pessoas com estas convicções temem em fechar os olhos, e a sua expectativa em os abrir. Eu não consigo pensar na vida como um objectivo, carpe diem... tudo me parece muito curto nesses conceitos.. muito proximamente final.

A vida como ela é precisa de um objectivo mais longo, sim preciso encontrar um objectivo mais longo, algo que perdure. Gosto do termo "a vida", retrata uma capacidade comum, que mais parece que compõe a sinfonia numa orquestra de instrumentos, como se não houvesse musica com apenas um violino.

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