quarta-feira, janeiro 18, 2006

A vida

No ultimo post terminei com uma perspectiva muito própria da vida. Mas não materializei numa forma ou imagem.

Aqui vai a minha tentativa...

Eu gosto de sentir que há uma lógica cientifica para tudo o que nos acontece, como que se a lei de probabilidades governasse este mundo e a divina proporção a desenhasse em contornos perfeitos. Há no entanto nesta filosofia algo que foge ao entendimento racional e que mantém o meu cerebro suspenso numa balança astrologica. Algo que o meu racional ainda não percebe e para o qual ainda não encontrei explicação nos livros de fisica quântica.

Recentemente li que as emoções como o amor provêm de uma molécula- oxiticina - que é libertada pelo hipótalamo. A mesma molécula aumenta os graus de confiança que temos com as outras pessoas.

Somos muito quimicos é verdade... somos muito quimicamente influenciaveis sem duvida.

Não gosto da ideia que as moléculas libertadas por zonas do cerebro que há muito deixei de tentar pronunciar, influenciem o nosso caminho, a nossa vida. O meu sentido para a vida não reside em moleculas, mas sim em algo mais profundo que não encontro explicação: a dependência de pessoas. Todos nós dependemos muito uns dos outros... nunca sentiram isso? O que fariam se vos tirassem aqueles que mais amam? Amigos, familiares, amores... Porque necessitamos nós tanto uns dos outros? Conheço pessoas que tentam ao máximo fugir dessa dependência, mas fogem em vão... a recaida é garantida.

Precisamos tanto uns dos outros que chegamos a ter overdoses. Nessas alturas e por momentos que nunca são muito longos, adoramos o silêncio e a paz que encontramos quando estamos sozinhos.

O sentido de vida ultimo tem a ver com as pessoas, com os sentimentos e emoções que têm umas pelas outras. Nada mais na vida te marcará mais... nada, e assim sendo faço disto o meu sentido. Obrigatório.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Objectivo

A sensação de viver sem um objectivo claro e definido, assusta muitas pessoas. Eu nunca consegui pensar assim, nunca consegui conceber algo que acreditasse de forma tão clara e convicta que se torna-se um objectivo de vida. Muitas das minhas decisões digo-o com alguma vergonha, foram tomadas com total desprimor a lógica e fundamento resultante de análise aprofundada. A verdade é que tenho pequenos objectivos para o meu dia a dia, que passam por fugir ao trânsito, encontrar forma de estar o menos tempo possivel em casa, correr como se não houvesse amanhã no final do dia e acima de tudo tentar desmaiar de cansaço acumulado sobre a minha cama de 2,10 x 2,20... bem no meio. A futilidade de tais objectivos faz-me pensar que tenho algo de muito errado na mente, algo que cobre 70% do meu cerebro cobrindo aqueles 10% que fazem alguma coisa e que resulta num cerebro com 30% de capacidade inutil.

Ainda não descobri o processo, a meu ver apenas mágico, que irá abrir as portas do meu cerebro a grandes objectivos de vida. No outro dia ouvi dizer a alguém com capacidades ainda mais diminutas que as minhas, que em tempos, uns padres franciscanos faziam pequenos furos na parte de trás da nuca atingindo estados de intelectualidade e de clareza mental inagualáveis. Essa entidade acefala que explanou tal teoria em praça publica nunca conseguiu explicar porque não caiam esses padres de perda massiva de sangue...

Ouvi falar em Deus, Alá, Yeshua, Budha, e todo um conjunto de santidades que tornam a nossa vida num objectivo por si só, como que se ao acordar nos sentissemos realizados e fosse sempre assim toda a vida. Imaginem só o quanto as pessoas com estas convicções temem em fechar os olhos, e a sua expectativa em os abrir. Eu não consigo pensar na vida como um objectivo, carpe diem... tudo me parece muito curto nesses conceitos.. muito proximamente final.

A vida como ela é precisa de um objectivo mais longo, sim preciso encontrar um objectivo mais longo, algo que perdure. Gosto do termo "a vida", retrata uma capacidade comum, que mais parece que compõe a sinfonia numa orquestra de instrumentos, como se não houvesse musica com apenas um violino.
Inicia-se neste momento uma série de desanuvios. Objectivo - despejar fustrações introduzidas por uma série de situações suportadas por receios que inexplicavelmente se introduzem na nossa mente e nos bolqueiam a capacidade de fugir de tudo aquilo que não queremos, não desejamos, nos entristecem e nos magoam!

O meu bloqueio mental surge no momento em que penso no que estou a fazer durante um dia da semana, sentado a olhar para o monitor de um portátil, com uma serie de documentação financeira - penso - "quero sair daqui, quero sair deste edificio, fujo para onde!? Na minha mente aparecem flash's de ondas azuis transparentes, montanhas brancas, desertos avermelhados", de repente uma vontade de sentir oxigénio e o som do silêncio que apenas imagino na mente obriga-me a levantar, as minhas pernas reagem automaticamente sem que eu tenha que pensar no movimento, a direcção é a porta da saida. Não consigo encontrar um local que se assemelhe ao meu destino, procuro uma forma de la chegar, mas o momento impede-me. O momento é o meu maior inimigo. Acabei de declarar guerra ao momento. "FUCK YOU momento!".

Invejo todo aquele que sai pela porta fora obstinado, livre. Gostava que o meu momento fosse o meu destino. Ai sim, eu seria obstinado e livre.